A
emoção do último quilômetro
Por
Celso Cardoso
(03/12/2004 22:02:10)
Treinar
todos os dias é importante e agradável; porém, mais agradável
ainda é acompanhar, nas provas, a evolução adquirida nos
treinamentos. Claro que, como não somos atletas de elite, não
existe a pretensão de chegar em primeiro. O adversário a ser batido
é sempre o seu tempo anterior; melhorar a performance é a meta.
Colecionar medalhas de participação é também outra
fonte de prazer. Mas nada se compara a emoção de percorrer o último
quilômetro, os últimos metros. Avistar a linha de chegada, o que
acabou inspirando o título desta coluna, é garantia de força
extra, força que nunca imaginamos que pudéssemos ter.
“Jesus Salva”
A minha estréia em provas aconteceu em 4 de julho, na 9ª Corrida
dos Bombeiros, realizada nas imediações do Museu do Ipiranga.
A ansiedade era grande, principalmente, por ter ficado sem treinar duas semanas
por causa de dores no joelho. Pouco tempo sem treino e o corpo já sente.
Os primeiros 5 dos 10 km até que foram tranqüilos. Mas do 7º
para o 8º, uma subida árdua, comecei a sentir o impacto. O momento
difícil, porém, me permitiu descobrir algo muito importante neste
tipo corrida: a solidariedade. Um participante da prova percebeu que eu não
estava bem, encostou em mim e começou a falar. “Solta os braços,
respira, vai com calma e não desista”. Durante todo o trajeto,
o mais difícil da corrida, lá estava ele: “Não se
intimide com a subida, continue respirando forte”. Vencido o trecho mais
pesado, já me sentia bem novamente e com mais “gás”
pra seguir adiante. O rapaz percebeu e disse: “agora se manda”.
Agradecido, quis saber o nome do novo amigo e ele respondeu: “Jesus”!
“Obrigado, Jesus!” disse eu, sem esconder o riso. Terminei os 10
km em 1 hora e 34 segundos. Minha primeira medalha estava garantida, graças
a “Jesus”.
“10km
do Brasil”
No dia 25 de julho participei pela segunda vez de uma prova de rua. A Corrida
do Brasil, realizada na Cidade Universitária (USP). Desta vez, estava
melhor preparado e pude baixar em quase 6 minutos meu tempo de prova: 54 minutos
e 55 segundos. O último quilômetro foi o mais rápido: 4'43''.
Mais uma medalha garantida e, claro, satisfação inigualável,
pela evolução do trabalho. |